Lise Meitner
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Lise Meitner (7 de novembro de 1878 – 27 de outubro de 1968) foi uma física nuclear austro-sueca. Ela forneceu em 1930 a medição que tornou o neutrino necessário — e foi a primeira a explicar, em 1939, o que acontece na fissão nuclear.
O caminho até a física
Meitner nasceu em Viena e esteve entre as primeiras mulheres autorizadas a estudar física ali. Em 1906 doutorou-se com Ludwig Boltzmann. Em 1907 foi para Berlim, onde assistiu às aulas de Max Planck e iniciou a colaboração com o químico Otto Hahn, que haveria de durar três décadas.
Os começos foram penosos. Às mulheres era vedado o acesso ao Instituto de Química; Meitner trabalhou a princípio em uma antiga oficina de marcenaria no porão. Em 1926 tornou-se em Berlim a primeira professora catedrática de física da Alemanha.
O experimento com calorímetro de 1930
No decaimento beta os elétrons deixam o núcleo com energias bastante diferentes — um espectro contínuo em vez de um valor nítido. Isso era conhecido desde 1914, mas era controverso. Muitos o tinham por um erro de medida: talvez os elétrons só perdessem energia no caminho para fora.
Meitner e Wilhelm Orthmann decidiram a questão em 1930 com um calorímetro. Elas não mediram elétrons isolados, mas todo o calor liberado por uma amostra. Se o espectro fosse um artefato, a quantidade de calor teria de corresponder à energia máxima. Ela correspondeu ao valor médio.
Com isso ficou estabelecido: no decaimento beta perde-se energia, e realmente. Ainda no mesmo ano Wolfgang Pauli propôs uma partícula invisível que a levaria embora.
Fuga e fissão nuclear
Em 1938 Meitner teve de fugir da Alemanha por ser judia. Passando pelos Países Baixos chegou à Suécia e continuou a trabalhar em Estocolmo.
Em dezembro de 1938 Hahn escreveu-lhe sobre um achado inexplicável: no bombardeio de urânio com nêutrons surgia bário — um elemento muito mais leve. Meitner discutiu isso durante o Natal com seu sobrinho Otto Frisch. Os dois reconheceram que o núcleo de urânio devia ter-se dividido e calcularam a energia liberada nesse processo. Seu trabalho na Nature de fevereiro de 1939 cunhou o termo fissão nuclear.
O Prêmio Nobel de Química de 1944 foi para Otto Hahn sozinho. A omissão de Meitner é considerada hoje uma das decisões equivocadas mais conhecidas da história do prêmio.
Postura
Meitner recusou-se a participar do desenvolvimento de armas nucleares. Declinou um convite para Los Alamos. Depois da guerra manifestou-se com clareza sobre a responsabilidade dos cientistas.
Em 1997 o elemento 109 recebeu seu nome: meitnério. É um dos poucos elementos que levam o nome de uma mulher.
Importância para a física de neutrinos
Sem a medição de 1930 a proposta de Pauli não teria tido terreno firme. A pergunta «A perda de energia é real?» tinha de ser respondida primeiro, antes que alguém pudesse inventar uma nova partícula para ela.
Meitner está assim no começo de uma cadeia que leva, passando por Enrico Fermi e Frederick Reines, até os grandes detectores de hoje — e que começou com uma medição de calor.
Termos relacionados
- Decaimento beta — o que ela mediu
- Wolfgang Pauli — a resposta ao seu achado
- Enrico Fermi — a teoria por trás disso
- Neutrino
Fontes
- L. Meitner, W. Orthmann: Über eine absolute Bestimmung der Energie der primären β-Strahlen von Radium E, Zeitschrift für Physik 60, 143 (1930).
- L. Meitner, O. R. Frisch: Disintegration of Uranium by Neutrons: a New Type of Nuclear Reaction, Nature 143, 239 (1939).